[ PARTE 2] Hanseníase: Como é Transmitida e Quais os Sinais?

Saiba identificar os principais sinais da hanseníase e entenda como o diagnóstico precoce pode ajudar a evitar complicações.

PATOLOGIAS

8/14/20265 min read

Na primeira parte do artigo falamos sobre a história da Hanseníase e agora falaremos sobre o período de incubação, sinais e sintomas, diagnóstico e tratamento da hanseníase

Período de incubação da hanseníase

Uma das principais características da hanseníase é o seu longo período de incubação. Isso significa que a pessoa pode ser infectada pela bactéria e permanecer sem apresentar qualquer sintoma durante vários anos.

Na maioria dos casos, esse período varia entre 2 e 7 anos, embora existam situações em que os sinais da doença possam surgir antes ou somente após um tempo ainda maior.

Esse crescimento lento do ***Mycobacterium leprae*** dificulta a identificação precoce da infecção, fazendo com que muitas pessoas só procurem atendimento quando os nervos já apresentam comprometimento.

Por isso, pessoas que convivem com pacientes diagnosticados devem permanecer atentas e realizar acompanhamento na Unidade Básica de Saúde (UBS), conforme orientação dos profissionais de saúde.

Quais são os primeiros sinais e sintomas da hanseníase?

Os primeiros sintomas costumam surgir de forma discreta, motivo pelo qual muitas pessoas confundem a doença com problemas de pele comuns ou alterações passageiras.

O sinal mais característico é o aparecimento de manchas na pele com alteração da sensibilidade.

Essas manchas podem apresentar diferentes características:

  • Esbranquiçadas;

  • Avermelhadas;

  • Amarronzadas;

  • Únicas ou múltiplas;

  • Com pouca ou nenhuma sensibilidade ao calor, à dor ou ao toque.

Ao contrário de outras doenças dermatológicas, muitas dessas lesões não causam coceira, o que pode retardar ainda mais a procura por atendimento médico.

Alterações neurológicas

Como a bactéria possui afinidade pelos nervos periféricos, diversos sintomas neurológicos podem surgir ao longo da evolução da doença.

Entre eles estão:

  • Formigamentos;

  • Sensação de dormência;

  • Choques elétricos;

  • Fisgadas ao longo dos braços e pernas;

  • Dor nos nervos;

  • Diminuição da força muscular;

  • Dificuldade para segurar objetos;

  • Dificuldade para caminhar.

Sem tratamento, essas alterações podem evoluir para incapacidades permanentes

Sintomas na pele

Além das manchas, outras manifestações cutâneas podem ocorrer.

Entre as principais estão:

Essas alterações acontecem devido ao comprometimento dos nervos responsáveis pela sensibilidade e pelo funcionamento das glândulas da pele.

Como é feito o diagnóstico da hanseníase?

O diagnóstico precoce é um dos fatores mais importantes para evitar sequelas.

Na maioria das vezes, o diagnóstico pode ser realizado durante a consulta clínica por um profissional capacitado.

O médico ou enfermeiro avalia:

  • Histórico do paciente;

  • Tempo de evolução das lesões;

  • Presença de dormências;

  • Alteração da força muscular;

  • Comprometimento dos nervos periféricos.

Exame dermatoneurológico

O principal exame realizado é o exame dermatoneurológico, considerado o padrão para avaliação clínica da hanseníase.

Durante esse exame são avaliados:

  • Manchas na pele;

  • Nervos periféricos;

  • Sensibilidade da pele;

  • Força muscular;

  • Presença de deformidades.

Essa avaliação permite identificar alterações que muitas vezes passam despercebidas pelo próprio paciente.

Testes de sensibilidade

Outra etapa fundamental do diagnóstico consiste na realização dos testes de sensibilidade.

São avaliadas três modalidades principais:

  • Sensibilidade tátil: Verifica se o paciente consegue perceber o toque em diferentes áreas da pele.

  • Sensibilidade térmica: Avalia a capacidade de distinguir temperaturas frias e quentes.

  • Sensibilidade dolorosa: Analisa se a pessoa consegue perceber estímulos dolorosos.

A perda de qualquer uma dessas sensibilidades pode indicar comprometimento dos nervos periféricos.

🎥 Quer entender a hanseníase de forma mais visual?

Assista ao vídeo abaixo e descubra, de forma simples e didática, os principais aspectos dessa doença.

Assistir ao vídeo no YouTube

Exames laboratoriais

Em algumas situações, exames complementares podem ser utilizados para auxiliar o diagnóstico.

Entre eles destacam-se:

  • Baciloscopia;

  • Biópsia de pele, quando indicada;

  • Exames anatomopatológicos em casos específicos.

Entretanto, é importante destacar que muitos casos são diagnosticados apenas pela avaliação clínica realizada por profissionais experientes.

Como é o tratamento da hanseníase?

A hanseníase tem cura.

O tratamento é realizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da Poliquimioterapia (PQT), uma combinação de antibióticos capaz de eliminar a bactéria e interromper a transmissão da doença.

O esquema terapêutico varia conforme a classificação clínica da hanseníase, sendo definido pelo profissional de saúde.

Onde procurar atendimento?

O primeiro atendimento normalmente acontece na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da residência do paciente.

Após a avaliação clínica, a equipe de saúde poderá:

  • Confirmar ou descartar o diagnóstico;

  • Solicitar exames complementares, quando necessários;

  • Iniciar o tratamento;

  • Acompanhar a evolução clínica;

  • Orientar familiares e pessoas que convivem com o paciente.

O diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento da hanseníase são oferecidos gratuitamente pelo SUS.

Você já sabe como a hanseníase é transmitida, quais são seus principais sinais e sintomas e como é realizado o acompanhamento pelo SUS. Mas ainda falta uma parte importante: entender como a doença é tratada e como podemos prevenir complicações.

No próximo artigo, você vai aprender:

  • 💊 Como funciona o tratamento da hanseníase;

  • 🏥 Como o paciente tem acesso ao tratamento pelo SUS;

  • 🩺 Quais cuidados são importantes durante o tratamento;

  • 🛡️ Como prevenir incapacidades e complicações;

  • 👨‍👩‍👧‍👦 Por que os contatos próximos também precisam ser avaliados;

  • 🔎 A importância do acompanhamento dos pacientes e familiares.

No próximo artigo, vamos continuar nossa série sobre hanseníase e falar sobre tratamento, prevenção e cuidados.

Continue a série sobre Hanseníase, através do artigo 3...

Fonte: Acervo pessoal

Fonte: Canva

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