Outubro Verde: O Que é Sífilis, sintomas, prevenção e tratamento

O Outubro Verde é uma campanha de conscientização sobre a sífilis e a sífilis congênita, duas questões importantes para a saúde pública e para a atuação dos profissionais de enfermagem.

CAMPANHAS DE SAÚDE

9/30/20268 min read

O Outubro Verde é uma campanha de conscientização sobre a sífilis e a sífilis congênita, duas questões importantes para a saúde pública e para a atuação dos profissionais de enfermagem.

A sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) que possui diagnóstico, tratamento e cura. Entretanto, quando não é identificada e tratada adequadamente, pode permanecer no organismo

por anos e provocar complicações.

Durante a gestação, existe ainda outro problema: a bactéria responsável pela doença pode ser transmitida para o bebê, causando a chamada sífilis congênita.

Por isso, o Outubro Verde chama atenção principalmente para três ações: Prevenir, testar e tratar.

Em 2024, o Brasil notificou aproximadamente 256 mil casos de sífilis adquirida, 89 mil casos em gestantes e 24 mil casos de sífilis congênita. Serviços e Informações do Brasil

Esses números ajudam a entender por que ainda precisamos falar sobre uma infecção que possui tratamento disponível no SUS.

Fonte: Acervo pessoal

O Outubro Verde é uma mobilização dedicada à conscientização sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da sífilis, com atenção especial à prevenção da sífilis congênita.

O mês também está relacionado ao Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, celebrado no terceiro sábado de outubro.

A campanha Outubro Verde voltada à sífilis congênita começou em São Paulo em 2016. Posteriormente, em 2017, a Lei nº 13.430 instituiu nacionalmente o dia de combate à sífilis e à sífilis congênita.

Em 2025, o Ministério da Saúde também lançou uma campanha nacional durante o Outubro Verde com a mensagem de que a sífilis tem cura e reforçou a importância da testagem, tratamento e prevenção.

O que é sífilis?

A sífilis é uma infecção causada pela bactéria Treponema pallidum.

Sua principal forma de transmissão está relacionada ao contato sexual sem proteção com uma pessoa infectada.

Também pode ocorrer a chamada transmissão vertical, quando a infecção passa da gestante para o bebê durante a gestação.

Essa segunda situação merece atenção especial porque pode resultar em sífilis congênita.

Uma característica importante da sífilis é que suas manifestações podem desaparecer mesmo quando a infecção continua presente.

Isso significa que: ausência de sintomas não significa necessariamente ausência de infecção.

É justamente por isso que a testagem possui tanta importância.

Quais são os sintomas da sífilis?

A apresentação da sífilis pode variar conforme a fase da infecção.

Sífilis primária

Na fase inicial, pode surgir uma lesão no local por onde a bactéria entrou no organismo.

Essa lesão geralmente não causa dor e pode desaparecer espontaneamente.

Esse desaparecimento pode criar uma falsa impressão de cura.

A pessoa pode acreditar que o problema terminou, quando na realidade a infecção permanece no organismo.

Sífilis secundária

Posteriormente, podem surgir manifestações em diferentes regiões do corpo.

Lesões de pele podem aparecer inclusive nas palmas das mãos e plantas dos pés, além de outros sinais sistêmicos.

Novamente, esses sintomas podem desaparecer mesmo sem tratamento.

Sífilis latente

Na fase latente, a pessoa não apresenta sinais ou sintomas, mas continua infectada.

Essa fase pode durar bastante tempo.

Sífilis terciária

Sem tratamento adequado, algumas pessoas podem desenvolver manifestações graves anos depois da infecção inicial.

Podem ocorrer comprometimentos neurológicos, cardiovasculares e de outros sistemas.

Portanto, esperar sintomas para procurar testagem não é uma estratégia segura.

Como a sífilis é transmitida?

A principal forma de transmissão da sífilis é sexual.

O contato com lesões infecciosas durante relações sexuais pode permitir a transmissão da bactéria.

Outra forma extremamente importante é a transmissão vertical, da gestante infectada para o bebê.

É justamente essa possibilidade que torna a testagem durante o pré-natal tão importante.

O uso adequado de preservativos ajuda a reduzir o risco de transmissão sexual, embora a proteção possa não ser absoluta quando existem lesões em áreas não cobertas.

O que é sífilis congênita?

A sífilis congênita ocorre quando a infecção é transmitida da gestante para o bebê.

A bactéria pode atravessar a placenta e atingir o feto.

Sem diagnóstico e tratamento adequados durante a gestação, podem ocorrer consequências importantes, incluindo aborto, prematuridade, baixo peso ao nascer e complicações para o bebê.

Um ponto fundamental precisa ficar claro: a sífilis congênita é evitável.

Diagnosticar e tratar adequadamente a sífilis durante a gestação é uma das principais estratégias para impedir a transmissão ao bebê.

Quais são os sintomas da sífilis congênita?

Nem todo recém-nascido infectado apresenta manifestações imediatamente.

Esse é um dos motivos pelos quais avaliação e acompanhamento adequados são tão importantes.

Quando presentes, as manifestações podem incluir alterações como:

  • Anemia;

  • Aumento do fígado ou baço;

  • Icterícia;

  • Alterações de pele;

  • Comprometimento ósseo;

  • Alterações neurológicas.

Manifestações tardias também podem ocorrer, incluindo problemas auditivos, oftalmológicos e alterações no desenvolvimento.

Por isso, o diagnóstico não deve depender apenas da aparência do bebê.

Como é feito o diagnóstico da sífilis?

Existem diferentes exames utilizados na investigação e acompanhamento da sífilis.

Um recurso muito importante no SUS é o teste rápido.

O Ministério da Saúde ampliou, em 2025, a disponibilidade do teste rápido combinado HIV/sífilis, que permite identificar simultaneamente as duas infecções. Foram disponibilizadas 6,5 milhões de unidades naquele ano. Serviços e Informações do Brasil

Também existem testes laboratoriais treponêmicos e não treponêmicos.

Para estudantes e profissionais de enfermagem, é importante compreender que o resultado precisa ser interpretado considerando o tipo de teste, história clínica, tratamentos anteriores e protocolos vigentes.

Não é adequado interpretar qualquer resultado isoladamente sem conhecer o contexto.

Sífilis tem cura?

Sim. Sífilis tem cura.

O tratamento adequado elimina a bactéria responsável pela infecção.

A penicilina permanece fundamental no tratamento da sífilis e possui importância ainda maior durante a gestação.

O Ministério da Saúde reforça que prevenção, diagnóstico e tratamento estão disponíveis gratuitamente pelo SUS.

Entretanto, ter cura não significa que a pessoa fique protegida para sempre.

Uma pessoa tratada pode adquirir sífilis novamente caso seja exposta à bactéria.

Portanto: Sífilis tratada não produz imunidade contra uma nova infecção.

Por que tratar as parcerias sexuais?

O controle da sífilis não depende apenas do tratamento de uma pessoa.

As parcerias sexuais precisam ser avaliadas e manejadas conforme as recomendações dos serviços de saúde.

Caso isso não aconteça, existe possibilidade de novas exposições e manutenção da cadeia de transmissão.

Esse é um ponto especialmente importante durante o pré-natal.

Não basta identificar uma gestante com sífilis e simplesmente entregar uma orientação genérica.

É necessário garantir acompanhamento adequado e seguir os protocolos para tratamento e seguimento.

Como prevenir a sífilis?

A prevenção envolve diferentes estratégias.

O uso de preservativos reduz o risco de transmissão sexual.

A testagem permite identificar pessoas infectadas, inclusive aquelas que não apresentam sintomas.

O tratamento adequado interrompe a progressão da doença e contribui para reduzir a transmissão.

Durante a gestação, o pré-natal realizado adequadamente é fundamental para que a infecção seja identificada e tratada em tempo oportuno.

Por isso, prevenção não significa apenas usar preservativo.

Também significa: Testar → Diagnosticar → Tratar → Acompanhar.

Por que a testagem na gestação é tão importante?

A gestante pode apresentar sífilis sem perceber qualquer sintoma.

Se a equipe dependesse apenas de manifestações clínicas para solicitar investigação, muitos casos poderiam passar despercebidos.

É justamente por isso que existem recomendações específicas de testagem durante o pré-natal.

Quando a infecção é identificada, o tratamento adequado pode reduzir drasticamente o risco de transmissão para o bebê.

O Ministério da Saúde considera o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno durante a gestação fundamentais para enfrentar a sífilis congênita.

Qual é o papel da enfermagem no Outubro Verde?

Esse é um tema particularmente importante para profissionais e estudantes de enfermagem.

A enfermagem participa diretamente de diferentes etapas da prevenção e do controle da sífilis, principalmente na Atenção Primária.

Dependendo das atribuições profissionais, protocolos e organização do serviço, essa atuação pode envolver:

  • Educação em saúde;

  • Orientação sobre prevenção das ISTs;

  • Realização de testes rápidos;

  • Aconselhamento antes e depois da testagem;

  • Acompanhamento pré-natal;

  • Administração do tratamento prescrito;

  • Acompanhamento da adesão;

  • Orientação sobre parcerias sexuais;

  • Registro e vigilância dos casos;

  • Acompanhamento da gestante e do bebê.

Também existe uma responsabilidade importante relacionada ao acolhimento.

Sífilis é uma IST.

Isso significa que algumas pessoas podem sentir vergonha, medo ou receio de julgamento ao receber o diagnóstico.

Uma assistência baseada em julgamentos pode afastar o paciente justamente do serviço que deveria ajudá-lo.

O profissional precisa oferecer informação clara, sigilo, acolhimento e orientação baseada em evidências.

Sífilis ainda é um problema de saúde pública?

Sim.

Apesar de possuir diagnóstico e tratamento, a quantidade de casos permanece significativa.

Em 2024, foram registrados no Brasil cerca de 24 mil casos de sífilis congênita e 183 óbitos relacionados, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde em 2025.

Por outro lado, houve redução de mais de dois mil casos de sífilis congênita em um período de três anos.

Isso mostra duas coisas ao mesmo tempo: O problema continua importante, mas as estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento podem produzir resultados.

Outubro Verde: testar também é prevenção

Talvez uma das mensagens mais importantes do Outubro Verde seja compreender que uma pessoa não precisa apresentar sintomas para realizar um teste.

A sífilis pode passar por períodos sem manifestações clínicas.

Por isso, prevenção, testagem e tratamento precisam caminhar juntos.

Para gestantes, esse cuidado ganha importância ainda maior.

Uma infecção tratável não deveria continuar produzindo casos de uma doença congênita que pode ser evitada.

O Outubro Verde chama atenção para esse problema durante um mês específico.

Mas prevenção das ISTs, testagem, tratamento e acompanhamento pré-natal precisam acontecer durante o ano inteiro.

Este conteúdo possui caráter educativo e não substitui avaliação, diagnóstico, protocolos assistenciais ou tratamento realizado por profissionais de saúde.

7 perguntas frequentes sobre Outubro Verde e sífilis

1. O que é Outubro Verde?
Outubro Verde é uma mobilização de conscientização sobre prevenção, diagnóstico e tratamento

da sífilis e combate à sífilis congênita. Serviços e Informações do Brasil

2. Quais são os primeiros sintomas da sífilis?
Na fase primária pode surgir uma lesão geralmente indolor no local da infecção. Ela pode desaparecer mesmo sem tratamento, o que não significa que a pessoa esteja curada.

3. Sífilis tem cura?
Sim. A sífilis é uma infecção curável quando tratada adequadamente. Serviços e Informações do Brasil

4. O que é sífilis congênita?
É a infecção transmitida da gestante para o bebê, principalmente durante a gestação. Sem tratamento adequado, pode provocar complicações importantes. SPSP

5. Sífilis pode não apresentar sintomas?
Sim. Durante a fase latente, a pessoa pode permanecer sem sinais ou sintomas mesmo estando infectada.

6. Quem já teve sífilis pode pegar novamente?
Sim. O tratamento não gera imunidade permanente. Uma pessoa curada pode adquirir uma nova infecção caso seja novamente exposta.

7. Como prevenir a sífilis congênita?
Uma das principais estratégias é realizar pré-natal adequado, testagem para sífilis e tratamento oportuno da gestante, além do manejo das parcerias conforme os protocolos de saúde.

Fonte: Canva

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